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sábado, 8 de setembro de 2012

Homilia dominical: Marcos 7,31-37

31 Jesus saiu de novo da região de Tiro, passou por Sidônia e continuou até o mar da Galileia, atravessando a região da Decápole.  32 Trouxeram então um homem surdo, que falava com dificuldade, e pediram que Jesus lhe impusesse a mão. 33 Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e, com a saliva, tocou a língua dele. 34 Olhando para o céu, suspirou e disse: “Efatá!”, que quer dizer “abre-te!” 35 Imediatamente seus ouvidos se abriram, sua língua se soltou e ele começou a falar sem dificuldade. 36 Jesus recomendou com insistência que não contassem a ninguém. Mas, quanto mais ele recomendava, mais eles divulgavam. 37 Muito impressionados, diziam: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos falar”.

Comentário Este é o relato da cura do “surdo mudo”. É uma cura dupla, pelo fato do enfermo padecer duas doenças; que por sinal estão relacionadas entre si, pois em geral os surdos falam gritando. O texto é um dos poucos episódios exclusivo do evangelista Marcos, similar ao narrado por ele em 8,22-26. A descrição aqui é muito rica em gestos praticados por Jesus até chegar à conclusão da cura. Há um procedimento longo: Primeiro os habitantes se unem e prestam um serviço caridoso, levando o doente junto a Jesus. Depois o mestre certamente com a equipe caritativa – pois recomenda que não contassem a ninguém, sobre a cura - conduz o homem para fora da multidão (v 33). Logo fica frente a frente com o enfermo; coloca seus dedos nos olhos dele; cospe, e com a saliva toca-lhe a língua: contatos e gestos combinados que se tornam como uma “sinfonia de atenções”. Após o trato meticuloso com o homem, observam-se em Jesus, posturas cadenciadas: eleva os olhos,respira e pronuncia uma palavra. É maravilhoso perceber a paciência e delicadeza de Jesus! O modo carinhoso de tratar um doente já é a primeira medicina que atua na cura dele. Qual é meu comportamento diante do doente com quem convivo ou atendo? A sua melhora ou cura, muita das vezes depende da ação efetiva e mais ainda afetiva do assistente.“pediram que Jesus lhe impusesse a mão” (v 32). Era crença de que o contato físico fosse indispensável para obter a cura (Mc 5,23; 6,5; 8,234). “com a saliva, tocou a língua dele” (v 33). A saliva era tida como remédio, tanto pelos hebreus como pelos pagãos. Jesus usava também esse procedimento (Mc 8,23; Jo 9,6). “Olhando para o céu” (v 34). Elevar os olhos é um modo que acompanhava a oração (Mc 6,41; Jo 11,41; 17,1). “suspirou”. O suspiro manifesta o sentido de compaixão, de comoção que Jesus experimenta diante do infeliz. “Efatá!” é termo aramaico, e que Mc tem o cuidado de explicar aos leitores (Mc 5,41; 7,11). A ordem é dirigida não ao órgão e sim ao doente. “Imediatamente” (v 35). Verifica-se o efeito repentino e potencial da palavra de Jesus.Assim como é eficiente a palavra de Deus Pai na criação (Gn1, 3.6.9.11...) o é a palavra do Filho na recuperação da saúde, seja ela qual for.

Pe. Romeu Ferreira

domingo, 26 de agosto de 2012

Conversa com Meu Povo: Eu e minha casa serviremos ao Senhor

A frase é de uma das maiores personalidades do século XX, Mahatma Gandhi, que conduziu seu país, a Índia, assim como muitos outros, a encontrarem o caminho da independência e da democracia, através da não violência ativa: “Quem não vive para servir, não serve para viver”. Viver para servir! Proposta desafiadora, fonte de realização para todos os seres humanos, caminho de felicidade. Parece-nos encontrar aí uma das muitas
Sementes do Verbo de Deus plantadas na sabedoria e na prática religiosa da humanidade, pois a própria Palavra Eterna do Pai encarnada, Jesus Cristo, mostrou a que veio, abrindo perspectivas novas para seus discípulos e para toda a humanidade: “Eu vim não para ser servido, mas para servir e dar a vida por resgate de muitos” (Mc 10,45). Jesus Cristo veio ao mundo para fazer a vontade do Pai, para servir.

O Antigo Testamento reporta a história de Josué, a quem foi dada a tarefa de introduzir o Povo de Deus na Terra Prometida. Como havia acontecido na chamada Assembleia do Sinai, quando Moisés, em nome de Deus, pediu ao povo, conhecido pela sua cabeça dura, a definição de rumos, diante da Aliança estabelecida, também em Siquém se reúnem todas as tribos de Israel (Js 24,1-18). A escolha de Josué, em nome de toda a sua família, é muito clara: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!” Nas diversas etapas da história da Salvação, retorna a provocação positiva que toca no mais profundo da liberdade humana. Trata-se de escolher o serviço a Deus, optar pela fidelidade à sua Palavra, cumprir seus mandamentos, assumir a missão confiada àquele povo escolhido. A resposta do povo de Deus a Josué é decidida: “Nós também serviremos ao Senhor, porque Ele é o nosso Deus” (Js 24,18). Durante os séculos que se seguiram, continuamente o Senhor enviou emissários que o chamaram de novo à fidelidade!

Veio Jesus, chamou discípulos, começou uma nova forma de viver, do meio deles escolhe apóstolos, cria relacionamento diferente, acolhe crianças, chama justos e pecadores, derruba barreiras culturais e religiosas, abre a estrada da fraternidade. Também o Senhor, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, entra no maravilhoso jogo de provocação à liberdade humana. Depois das primeiras etapas da pregação do Reino e da constituição de uma nova comunidade de irmãos, os chamados evangelhos sinóticos, pede aos discípulos uma definição: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Cf. Mt 16,13-20; Mc 8,27-30; Lc 9,18-21). Já o Evangelho de São João, no texto que a Igreja proclama no vigésimo primeiro Domingo do Tempo Comum (Jo 6,60-69), traz uma pergunta altamente provocante, após a multiplicação de Pães e o Discurso de Jesus sobre o Pão da Vida: “Vós também quereis ir embora?” Vem de Pedro a resposta que continua a ressoar pelos séculos: “A quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Nós cremos firmemente e reconhecemos que tu és o santo de Deus!” Os discípulos aprenderam a seguir Jesus, a partir da fé professada naquele que é o Santo de Deus, Messias, Cristo, Filho de Deus. A Igreja não se cansará de proclamar a mesma fé em Jesus Cristo, até o fim dos tempos.

Após a Ressurreição e Ascensão de Cristo e o Pentecostes, foi chamado aquele que, perseguidor implacável, veio a ser Apóstolo das gentes. É o próprio Paulo que conta, numa das narrativas de sua conversão, a pergunta que brota no coração de todas as pessoas que se encontram com Jesus Cristo: “Senhor, que queres que eu faça?” (At 22,10) A graça do apostolado continua a se multiplicar na Igreja. Quantas pessoas são chamadas a servir ao Senhor no anúncio da Boa Nova da Salvação, nos ministérios e serviços existentes nas Comunidades Cristãs! Que profusão de carismas suscitados pelo Espírito no coração da Igreja, através dos quais as palavras do Evangelho são postas em prática e “lidas” nas inúmeras obras de caridade e de serviço existentes em toda parte! E como não reconhecer a beleza do serviço prestado por homens e mulheres, adultos e jovens, que desempenham a missão de catequistas em nossas Paróquias?

São todas pessoas que experimentaram a graça do seguimento de Jesus e não podem se calar. São leigos e leigas que nos serviços internos da Igreja, nas inúmeras frentes de trabalho apostólico e na caridade, podem dizer com o Apóstolo São Paulo: “Anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho!” (1 Cor 9,16). Por isso fixam os seus corações onde se encontram as verdadeiras alegrias. Com todas estas pessoas, agradecemos a Deus pelo mês dedicado às vocações. Em sua conclusão, temos o direito e o dever de acolher as novas e muitas vocações para o serviço ao Senhor e à sua Igreja.

Dom Alberto Taveira 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

CARTA PASTORAL

Aos Catequistas, Ministros Extraordinários, funcionários, Coroinhas, agentes pastorais, movimentos, diaconias, grupos, enfim a todo o CPP, segue-se abaixo um texto simples que nos ajudará a dar os rumos paroquiais nesse segundo semestre.
Esta é uma história sobre 04 (quatro) pessoas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM. 
Havia um importante trabalho há ser
 feito, e TODO MUNDO tinha certeza que ALGUÉM o faria.
QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fez.
ALGUÉM se zangou porque era um trabalho de TODO MUNDO.
TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo.
No final TODO MUNDO culpou ALGUÉM porque NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.
Caros filhos, qual é a moral desta história?! o segundo semestre chegou, ja estamos em Agosto, e como sabemos passa rápido, haja vista que são muitas atividades em virtude do Círio de Nazaré. É hora do compromisso, de deixarmos ser tocados pelo espírito do mês vocacional. A Paróquia é a casa de todos, de onde todos os setores, pastorais e movimentos convergem, e como nossa casa precisamos amá-la, zelá-la e cuidá-la....é hora de todos se perguntarem: como estou cuidando da minha casa? Será que bem...será que meus trabalhos correspondem ao zelo que Jesus nos ensinou?.
A história acima nos ajuda a ficarmos atentos, a esta casa que é morada Senhor. Aproveito a oportunidade para agradecer o bem que vós tendes feito a nossa Paróquia, a vossa casa comum, e insisto para que possamos cada vez mais progredir. Cada coordenador de seu grupo é minha extenção e presença ali, portanto estejamos em comunhão de fé, amor e caridade pastoral, onde todos crescemos e produzimos fruto e a Igreja de Cristo vence, porque o Cristo reina em nossas vidas! Por isso peço-vos encarecidamente da ajuda até mesmo financeira e fazer valer toda ação paroquial no que diz respeito as promoções e toda ação para angariar fundos para nossa Paróquia! Demos as mãos para levantar o mais rapido possivel nosso Salão Paroquial, repito demos as mãos! Quando se tem, ou se faz uma promoção: jantares, tardes alegres, feijoadas etc e tal, façamos todo o esforço de não devolvermos as cartelas, mas sim conseguirmos o pouco dinheiro que nos é pedido, pois com a partilha e os dons de todos faremos o muito em nossa vida paroquial.
Senhores, solicitei a todos os coordenadores de enviar ao CPP uma contribuição de R$ 10,00 (DEZ REAIS) por grupos, para ajudar de algum modo o inicio da nossa festividade. O CPP que até o final deste ano vamos instituir terá reunião agendada todos os meses, já com datas fixas até o final de 2012. Solicito também que todos os grupos da Paróquia enviem seu calendario até final de setembro para nossa avaliação conjunta, do contrario não serão contemplados!
Peço-vos que leiais esta carta em todos os vossos grupos e nas redes socias, faça chegar a todos os membros minha voz de pastor que a todos ama e cuida com paternal caridade de Pastor! Participemos juntos, demos as mãos, sintam-se responsaveis pela obra da Igreja e pela obra do Cristo, continuemos a obra começada!
Irmãos amados, “Tende em Vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus Nosso Senhor” Fl. 2,5! Desde que assumimos a Paróquia de São José este creio eu é o momento de Deus para escrevermos esta carta aberta as pastorais de nossa Paróquia!
Disperço-me, colocando-me a disposição de todos, na certeza de que São José, nos proteje e proteje sua Paróquia! Amados, chegue a todos vós e as vossas familias minha bênção sacerdotal!
Pe. WIREMBERG

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Conversa ingênua com Nossa Senhora Nazaré



Dom Alberto Taveira CorrêaARCEBISPO METROPOLITANO DE BELÉM DO PARÁMaria de Nazaré, Maria de Jesus, Maria de José, Maria de nossos sonhos e esperanças, Maria da humanidade inteira, Nossa Senhora! Batemos à porta de tua casa em Nazaré, tu que és Sede da Sabedoria e ao mesmo tempo mãe de família.
Dá-nos licença para entrar nesta casa sagrada da Sagrada Família. Queremos limpar nossos pés, sujos da poeira e da lama dos caminhos, pois vemos a harmonia que resplandece onde estás! Na Carpintaria de José e Jesus, soubemos que tu tens muito a nos ensinar. Eles foram muito delicados e atenciosos, pois disseram que esta casa tem jeito de Céu!
Antes de nossa conversa, queremos deixar lá fora o que não fica bem em ambiente tão bonito. Soubemos que os rancores, a desunião, o peso da maldade, a indiferença e a desconfiança nos fariam muito incomodados perto de ti. Mesmo que não sejamos imaculados como tu és, não fica bem trazer a maldade para cá. Pedimos até a ajuda de teu amigo Plácido, aquele caboclo que encontrou tua imagem e nos ajudou a lavar mãos e os pés. Ele é parecido com Jesus, teu Filho, que veio para servir e não ser servido e lavou pés dos discípulos para lavar a humanidade inteira, pois é aquele que tira o pecado do mundo.
Aproveitamos para te oferecer teu retrato, que chamamos “imagem peregrina”. Trouxemos lembranças de mais de cem mil famílias que a acolheram. Quem fez este retrato sabia muito bem que tu és mais bonita ainda face a face. Foste muito generosa ao permitir que nossas casas te recebessem. E todos ficaram muito felizes com o recado que nos mandaste, dizendo para fazer tudo o que Jesus diz. Disseram-nos que é uma “receita de milagre” e é verdade! Acolhendo teu conselho, todos os dias são melhores do que os que passaram e aprendemos a olhar para frente, corajosos como discípulos missionários de Jesus.
Obrigado, Maria de Nazaré, pois nos sentimos acolhidos em tua casa. Parece que estamos vendo tudo, até o fundo da cozinha. Já estamos aprendendo a lição da sinceridade, que anda rara em nosso mundo. De repente, tu nos contas histórias de família, dos teus antepassados, homens e mulheres de fé, gente que caminhou como se visse o invisível. Ajuda-nos a valorizar o que recebemos de melhor daquelas pessoas que vieram antes de nós. Sabemos que é hora de olhar para os retratos das paredes de nossas casas e viver de novo a retidão e a justiça, a disposição para trabalhar, a honestidade, a fraternidade e a solidariedade. Com tua ajuda, queremos recuperar o que existe de melhor em nossas famílias e em nosso povo. Aproveitamos esta visita para decidir-nos a melhorar o nosso mundo.
Vimos teu Filho amado junto com José. Eles nos contaram que aqui se reza. É bom saber que junto com José, este casal original que foi pensado pelo Pai do Céu, criou o ambiente para que o Verbo de Deus encarnado vivesse tudo o que humano, menos o pecado. Ora por nós, Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, para que tenhamos gosto pela oração. Aprendamos com tua família a louvar, agradecer, pedir perdão e suplicar. Até Jesus, Cordeiro imolado, pediu perdão e assumiu sobre si os pecados do mundo! Aqui queremos confiar-te todo o povo de Deus e nossas famílias, pois sabemos que continuas a acompanhar a Igreja na peregrinação da fé. Ora por nós agora e na hora de nossa morte!
Nós te agradecemos porque nos mostras a simplicidade de tua casa. Como somos paraenses, trouxemos até um agrado, o açaí, que o Pai do Céu criou com tanto carinho, para que a casa de Nazaré seja também de Belém do Pará! Dize a Jesus que estamos muito contentes com tudo o que recebemos em nossa magnífica terra amazônica e que queremos cuidar bem do que recebemos, para que não falte alimento a ninguém. Da casa da Sagrada Família, queremos levar para nossas cidades e bairros a lição da partilha, com a qual o pouco se transforma em muito.
E agora nós te convidamos a sair conosco pelas nossas ruas. Sabemos que ficas feliz, quando é Círio outra vez e nós também estamos muito felizes. Vem Maria, vem! Vem conosco e caminha conosco. Nossas ruas se tornam tua casa! Quem ninguém volte para casa sem experimentar teu amor materno! Aproxima os distantes, pede a Jesus a graça da reconciliação para os que são inimigos e a conversão para os que estão afastados dele. Virgem de Nazaré, olha para os enfermos, os tristes e as pessoas solitárias. Vê a multidão incontável que olha para ti, faze com que os sentimentos de nossos corações sejam transformados na vida que vem de teu Filho Jesus, para que todos tenham vida em abundância. Feliz Círio para todos nós, ó Virgem de Nazaré! 
 
Fonte: Conversa com meu povo  

Ninguém resiste ao Círio



Dom Alberto Taveira CorrêaARCEBISPO METROPOLITANO DE BELÉM DO PARÁ
Aproxima-se uma das maiores festas religiosas do mundo católico, cujos benefícios alcançam toda a sociedade na Arquidiocese de Belém e em todo o Pará, lançando pontes para outras regiões que se beneficiam do Círio de Nazaré. Apraz-me apresentar o ensinamento da Igreja, na V Conferência Geral do Episcopado latino-americano e caribenho, para ajudar-nos a viver o Círio 2011, aplicando-o ao nosso ambiente de fé.
O precioso documento considera as manifestações de piedade popular como um dos lugares privilegiados para o encontro com Jesus Cristo. Nas peregrinações, romarias e procissões, o povo de Deus se reconhece em caminho. Nos inúmeros peregrinos que acorrem a Belém, celebra-se a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera. O próprio Cristo se fez peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres.
A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino para a imagem da Virgem de Nazaré simboliza a ternura e a proximidade de Deus e da Mãe de Deus. O amor se detém, contempla o silêncio, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiadamente, é a melhor expressão de um coração que renunciou à auto-suficiência, reconhecendo que, sozinho, nada é possível. Um breve instante de pedido sintetiza uma viva experiência espiritual.
Peregrinos do Círio somos todos nós, chamados a viver a experiência de um mistério que nos supera, uma realidade que envolve a vida de Igreja e supera nossa família, nosso bairro e nosso trabalho. Na Basílica Santuário Arquidiocesano de Nazaré, esperamos tomar decisões que marquem nossas vidas. O Círio e a Basílica contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos que milhões de pessoas poderiam contar.
A piedade popular penetra delicadamente a existência pessoal de cada fiel e ainda que se viva em uma multidão, envolve toda a nossa vida. Nos diferentes momentos da luta cotidiana, muitos de nós recorremos a algum sinal do amor de Deus: um crucifixo, uma medalha, um rosário, uma vela que se acende para acompanhar um filho em sua enfermidade, um Pai Nosso recitado entre lágrimas, uma Ave-Maria, uma promessa, uma corda que nos faz próximos uns dos outros para nos aproximar de Deus, um olhar carinhoso para a imagem querida de Maria, um sorriso dirigido ao Céu em meio a uma simples alegria.
Nossa piedade popular mariana é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários, onde se recolhem as mais profundas vibrações de nosso coração, de nossa cultura e mais ainda de nossa fé. No ambiente de secularização em que vivem nossos povos, o Círio continua sendo uma poderosa confissão do Deus vivo que age na história e um canal de transmissão da fé. O caminhar juntos para o santuário e a participação em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador pelo qual o povo cristão evangeliza a si mesmo e cumpre a vocação missionária da Igreja. (Cf. Documento de Aparecida 259-264)
Não haja uma casa sem os sinais da devoção mariana! Apresentem-se o Rosário, as imagens da Virgem de Nazaré, os cartazes do Círio com tantos rostos de gente nossa, e as recordações dos votos feitos a Deus. Enfeitem-se as ruas e as casas com profusão de flores e cores. Continuem a ressoar os "vivas", as buzinas e os fogos de artifício. Emocionem-se todos, sem acanhamento! A cada pessoa que acolhe esta mensagem, como pastor da Igreja de Belém, entrego a tarefa de "não resistir ao Círio" e envolver, a modo de missão, seus parentes, amigos e vizinhos para a grande festa da Igreja em nossa Arquidiocese. Feliz Círio para todos! 
 
Fonte: Conversa com meu povo         

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Ninguém resiste ao Círio


Dom Alberto Taveira CorrêaARCEBISPO METROPOLITANO DE BELÉM DO PARÁ
Aproxima-se uma das maiores festas religiosas do mundo católico, cujos benefícios alcançam toda a sociedade na Arquidiocese de Belém e em todo o Pará, lançando pontes para outras regiões que se beneficiam do Círio de Nazaré. Apraz-me apresentar o ensinamento da Igreja, na V Conferência Geral do Episcopado latino-americano e caribenho, para ajudar-nos a viver o Círio 2011, aplicando-o ao nosso ambiente de fé.
O precioso documento considera as manifestações de piedade popular como um dos lugares privilegiados para o encontro com Jesus Cristo. Nas peregrinações, romarias e procissões, o povo de Deus se reconhece em caminho. Nos inúmeros peregrinos que acorrem a Belém, celebra-se a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera. O próprio Cristo se fez peregrino e caminha ressuscitado entre os pobres.
A decisão de caminhar em direção ao santuário já é uma confissão de fé, o caminhar é um verdadeiro canto de esperança e a chegada é um encontro de amor. O olhar do peregrino para a imagem da Virgem de Nazaré simboliza a ternura e a proximidade de Deus e da Mãe de Deus. O amor se detém, contempla o silêncio, desfruta dele em silêncio. Também se comove, derramando todo o peso de sua dor e de seus sonhos. A súplica sincera, que flui confiadamente, é a melhor expressão de um coração que renunciou à auto-suficiência, reconhecendo que, sozinho, nada é possível. Um breve instante de pedido sintetiza uma viva experiência espiritual.
Peregrinos do Círio somos todos nós, chamados a viver a experiência de um mistério que nos supera, uma realidade que envolve a vida de Igreja e supera nossa família, nosso bairro e nosso trabalho. Na Basílica Santuário Arquidiocesano de Nazaré, esperamos tomar decisões que marquem nossas vidas. O Círio e a Basílica contêm muitas histórias de conversão, de perdão e de dons recebidos que milhões de pessoas poderiam contar.
A piedade popular penetra delicadamente a existência pessoal de cada fiel e ainda que se viva em uma multidão, envolve toda a nossa vida. Nos diferentes momentos da luta cotidiana, muitos de nós recorremos a algum sinal do amor de Deus: um crucifixo, uma medalha, um rosário, uma vela que se acende para acompanhar um filho em sua enfermidade, um Pai Nosso recitado entre lágrimas, uma Ave-Maria, uma promessa, uma corda que nos faz próximos uns dos outros para nos aproximar de Deus, um olhar carinhoso para a imagem querida de Maria, um sorriso dirigido ao Céu em meio a uma simples alegria.
Nossa piedade popular mariana é uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários, onde se recolhem as mais profundas vibrações de nosso coração, de nossa cultura e mais ainda de nossa fé. No ambiente de secularização em que vivem nossos povos, o Círio continua sendo uma poderosa confissão do Deus vivo que age na história e um canal de transmissão da fé. O caminhar juntos para o santuário e a participação em outras manifestações da piedade popular, levando também os filhos ou convidando a outras pessoas, é em si mesmo um gesto evangelizador pelo qual o povo cristão evangeliza a si mesmo e cumpre a vocação missionária da Igreja. (Cf. Documento de Aparecida 259-264)
Não haja uma casa sem os sinais da devoção mariana! Apresentem-se o Rosário, as imagens da Virgem de Nazaré, os cartazes do Círio com tantos rostos de gente nossa, e as recordações dos votos feitos a Deus. Enfeitem-se as ruas e as casas com profusão de flores e cores. Continuem a ressoar os "vivas", as buzinas e os fogos de artifício. Emocionem-se todos, sem acanhamento! A cada pessoa que acolhe esta mensagem, como pastor da Igreja de Belém, entrego a tarefa de "não resistir ao Círio" e envolver, a modo de missão, seus parentes, amigos e vizinhos para a grande festa da Igreja em nossa Arquidiocese. Feliz Círio para todos! 
 
Fonte: Conversa com meu povo    

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Mensagem Urbi et Orbi de Sua Santidade Bento XVI




«Verbum caro factum est – o Verbo fez-Se carne» (Jo 1, 14).

Queridos irmãos e irmãs, que me ouvis em Roma e no mundo inteiro, é com alegria que vos anuncio a mensagem do Natal: Deus fez-Se homem, veio habitar no meio de nós. Deus não está longe: está perto, mais ainda, é o «Emanuel», Deus-connosco. Não é um desconhecido: tem um rosto, o rosto de Jesus.

Trata-se de uma mensagem sempre nova, que não cessa de surpreender, porque ultrapassa a nossa esperança mais ousada. Sobretudo porque não se trata apenas de um anúncio: é um acontecimento, um facto sucedido, que testemunhas credíveis viram, ouviram, tocaram na Pessoa de Jesus de Nazaré! Permanecendo com Ele, observando os seus atos e escutando as suas palavras, reconheceram em Jesus o Messias; e, ao vê-Lo ressuscitado, depois que fora crucificado, tiveram a certeza de que Ele, verdadeiro homem, era simultaneamente verdadeiro Deus, o Filho unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade (cf. Jo 1, 14).

«O Verbo fez-Se carne». Fitando esta revelação, ressurge uma vez mais em nós a pergunta: Como é possível? O Verbo e a carne são realidades opostas entre si; como pode a Palavra eterna e onipotente tornar-se um homem frágil e mortal? Só há uma resposta possível: o Amor. Quem ama quer partilhar com o amado, quer estar-lhe unido, e a Sagrada Escritura apresenta-nos precisamente a grande história do amor de Deus pelo seu povo, com o ponto culminante em Jesus Cristo.

Na realidade, Deus não muda: mantém-se fiel a Si mesmo. Aquele que criou o mundo é o mesmo que chamou Abraão e revelou o seu próprio Nome a Moisés: Eu sou Aquele que sou… o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob… Deus misericordioso e compassivo, cheio de amor e fidelidade (cf. Ex 3, 14-15; 34, 6). Deus não muda: Ele é Amor, desde sempre e para sempre. Em Si mesmo, é Comunhão, Unidade na Trindade, e cada obra e palavra sua tem em vista a comunhão. A encarnação é o ápice da criação. Quando no ventre de Maria, pela vontade do Pai e a ação do Espírito Santo, se formou Jesus, Filho de Deus feito homem, a criação atingiu o seu vértice. O princípio ordenador do universo, o Logos, começava a existir no mundo, num tempo e num espaço.

«O Verbo fez-Se carne». A luz desta verdade manifesta-se a quem a acolhe com fé, porque é um mistério de amor. Somente aqueles que se abrem ao amor, são envolvidos pela luz do Natal. Assim sucedeu na noite de Belém, e assim é hoje também. A encarnação do Filho de Deus é um acontecimento que se deu na história, mas ao mesmo tempo ultrapassa-a. Na noite do mundo, acende-se uma luz nova, que se deixa ver pelos olhos simples da fé, pelo coração manso e humilde de quem espera o Salvador. Se a verdade fosse apenas uma fórmula matemática, em certo sentido impor-se-ia por si mesma. Mas, se a Verdade é Amor, requer a fé, o «sim» do nosso coração.

E que procura, efetivamente, o nosso coração, senão uma Verdade que seja Amor? Procura-a a criança, com as suas perguntas tão desarmantes e estimuladoras; procura-a o jovem, necessitado de encontrar o sentido profundo da sua própria vida; procuram-na o homem e a mulher na sua maturidade, para orientar e sustentar os compromissos na família e no trabalho; procura-a a pessoa idosa, para levar a cumprimento a existência terrena.

«O Verbo fez-Se carne». O anúncio do Natal é luz também para os povos, para o caminho colectivo da humanidade. O «Emanuel», Deus-connosco, veio como Rei de justiça e de paz. O seu Reino – bem o sabemos – não é deste mundo, e todavia é mais importante do que todos os reinos deste mundo. É como o fermento da humanidade: se faltasse, definhava a força que faz avançar o verdadeiro progresso, o impulso para colaborar no bem comum, para o serviço desinteressado do próximo, para a luta pacífica pela justiça. Acreditar em Deus que quis compartilhar a nossa história, é um constante encorajamento a comprometer-se com ela, inclusive no meio das suas contradições; é motivo de esperança para todos aqueles cuja dignidade é ofendida e violada, porque Aquele que nasceu em Belém veio para libertar o homem da raiz de toda a escravidão.

A luz do Natal resplandeça novamente naquela Terra onde Jesus nasceu, e inspire Israelitas e Palestinianos na busca duma convivência justa e pacífica. O anúncio consolador da vinda do Emanuel mitigue o sofrimento e console nas suas provas as queridas comunidades cristãs do Iraque e de todo o Médio Oriente, dando-lhes conforto e esperança no futuro e animando os Responsáveis das nações a uma efectiva solidariedade para com elas. O mesmo suceda também em favor daqueles que, no Haiti, ainda sofrem com as consequências do terramoto devastador e com a recente epidemia de cólera. Igualmente não sejam esquecidos aqueles que, na Colômbia e na Venezuela mas também na Guatemala e na Costa Rica, sofreram recentemente calamidades naturais.

O nascimento do Salvador abra perspectivas de paz duradoura e de progresso autêntico para as populações da Somália, do Darfour e da Costa do Marfim; promova a estabilidade política e social em Madagáscar; leve segurança e respeito dos direitos humanos ao Afeganistão e Paquistão; encoraje o diálogo entre a Nicarágua e a Costa Rica; favoreça a reconciliação na Península Coreana.

A celebração do nascimento do Redentor reforce o espírito de fé, de paciência e de coragem nos fiéis da Igreja na China continental, para que não desanimem com as limitações à sua liberdade de religião e de consciência e, perseverando na fidelidade a Cristo e à sua Igreja, mantenham viva a chama da esperança. O amor do «Deus-connosco» dê perseverança a todas as comunidades cristãs que sofrem discriminação e perseguição, e inspire os líderes políticos e religiosos a empenharem-se pelo respeito pleno da liberdade religiosa de todos.

Queridos irmãos e irmãs, «o Verbo fez-Se carne», veio habitar no meio de nós, é o Emanuel, o Deus que Se aproximou de nós. Contemplemos, juntos, este grande mistério de amor; deixemos o coração iluminar-se com a luz que brilha na gruta de Belém! Boas-festas de Natal para todos!

BENEDICTUS PP. XVI

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Preparar a festa


Dom Alberto Taveira Corrêa, domalberto@fundacaonazare.com.br
A Igreja prepara os fiéis para celebrar o Natal do Senhor, abrindo-lhes os corações para entenderem o dinamismo da presença de Jesus Cristo em suas vidas. De fato, nossa prática religiosa não é estática, mas provocadora de atitudes que efetivamente modificam a realidade. Desejamos chegar melhores ao Natal que se aproxima e não nos conformamos em ser meros espectadores do acontecimento da encarnação do Verbo de Deus. A cena do Natal é riquíssima de detalhes e pedimos à Virgem Maria que nos conduza pela mão, diante do grande painel pintado pela Trindade Santa.
A primeira cena é tão comum como extraordinária, o nascimento de uma criança. A Liturgia do quarto domingo do Advento faz ouvir Isaías (7, 10-14): "Eis que uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel". A Carta aos Romanos (1, 1-7) apresenta Jesus Cristo, filho de Deus, "descendente de Davi segundo a carne" e o evangelista São Mateus conta como foi a "origem de Jesus Cristo". Deus quis percorrer o caminho da família humana, com todas as suas alegrias e vicissitudes. Deus quis sentir fome e frio, acolheu abraço e carinho de pai e mãe, foi peregrino e exilado, trabalhou com mãos de carpinteiro, alegrou-se com o dia a dia de Nazaré. Nenhuma vida humana seja desprezada e maternidade e paternidade sejam de novo valorizadas.
Nosso país se orgulha ao final do censo populacional realizado,  caminhando largamente para uma queda significativa da natalidade. Paradoxalmente fazemos festa porque há menos vida! Ainda que com o risco de sermos incompreendidos, é hora de desejar que não se calem as crianças recém-nascidas e que não tenhamos a tristeza de ver, como outros países do mundo, mais mortes do que nascimentos. O Natal seja preparado com o reconhecimento de que filho é bênção e não trabalho!
A cena do presépio é descrita de forma a mostrar realizada a paz entre a humanidade e a natureza. Quantas pessoas já encenaram o Natal e ficaram contentíssimas até em serem a vaca ou o burrinho, presentes no divino estábulo da noite santa ou, quem sabe, entrar com uma fantasia de estrela falante! Mas todos querem entrar! Teatro muito parecido com a vida! Neste Natal, ninguém se envergonhe das emoções tanto ancestrais quanto verdadeiras. É tempo, sim, de gostar de ter pai e mãe, irmãos, gerações diversas em torno da mesa, histórias de família, ternura e carinho.
As narrativas evangélicas do nascimento de Jesus põem em relevo figuras simpáticas, os pastores de Belém. Neles, três atitudes são ressaltadas. De um lado, acolheram com alegria o anúncio, lá mesmo onde se encontravam, em seu trabalho cotidiano. Depois foram conferir de perto, saindo da rotina para maravilhar-se ao encontrar, com olhos novos, um Menino e sua Mãe. Dali saíram, primeiros evangelizadores, espalhando a notícia, que era grande alegria para todo o povo. Natal se experimenta e se conta aos outros! A nós, a mesma tarefa de acolher boas notícias, vivê-las em primeira pessoa e comunicá-las aos outros!
A delicadeza dos detalhes chega aos homens chegados de fora e de longe, que trazem o melhor que possuem, dando ao rei o ouro, a Deus o incenso e a mirra àquele que passaria pelos vales da sombra da morte. Tem gente chegando neste Natal! Do longe-perto de nossa vida, há crianças, jovens e adultos que neste ano, pela primeira vez tomam conhecimento do que ocorre. Muitos chegam pela porta da caridade, pois um dos sinais da vida dos cristãos, a comunhão dos bens, se faz presente em nosso meio, com a exitosa campanha realizada pela Cáritas Metropolitana de Belém. A Cáritas apenas contribuiu para organizar a caridade, feita de modo sempre mais eficiente pelas paróquias da Arquidiocese. Muitas pessoas abriram o coração, as mãos e as carteiras, tantas outras recebem ajudas e todos fizeram um treinamento para o Céu, pois lá só entra o amor (cf. Mt 25, 31-46; 1 Cor 13, 1-13)!
Por causa dos magos vindos a Belém de Judá, até hoje trocamos presentes no Natal de Belém do Pará, como em todo o mundo. Quem sabe, por termos nome da terra de Jesus, possamos mesmo ser mais seus "conterrâneos", colhendo as lições do Natal para sermos mais fraternos e solidários. Nossa cidade, nascida no Forte do Presépio, seja mais parecida com o Natal. E estes são os meus votos, destinados a todos os homens e mulheres, chamados por Deus a glorificá-lo nas alturas do Céu para que na terra, amados por Ele e repletos de boa vontade, sejam felizes! 

Santa Missa de Natal na Comunidade São José no dia 25/12/2010 às 18h. Todos estão convidados. 
Fonte: Conversa com meu povo

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Domingo da alegria

Dom Alberto Taveira Corrêa, domalberto@fundacaonazare.com.br
"Alegrem-se o deserto e a terra seca, dance o chão duro, florido como a palma. Os que foram resgatados pelo Senhor voltarão e chegarão a Sião cantando louvores, cobertos de alegria sem fim. Alcançaram a felicidade e o prazer, a dor e a tristeza foram-se embora" (Is 35, 1.10). O Domingo da Alegria, dentro do tempo do Advento, oferece a ocasião para falar de algo que todas as pessoas têm em comum, as que professam a fé e também as que não têm convicções religiosas, o desejo de ser felizes.
Ao final do sexto dia da criação, Deus viu que tudo o que havia feito era muito bom (Gn 1, 32)! É bom imaginar o sorriso de Deus, feliz por ter criado todas as coisas, tudo pensado como um bonito jardim, destinado à felicidade daqueles que criou à sua imagem e semelhança. Sua alegria testemunha o que Deus é, felicidade eterna na eterna e indivisível Trindade, amor perfeito e eterno, perfeição da unidade e da comunhão. A alegria de Deus, já que nele não há tristeza, é referência de vida para todos.
Não fomos feitos apenas para a verdade, mas também para a alegria. Desde o nascimento, buscamos felicidade e realização, desejando o encontro com a alegria na harmonia com a natureza, no encontro e na comunhão com as outras pessoas e na experiência da presença de Deus. Em nossa vida na terra, maravilhar-se é pressentir o mistério divino. Ele nos fez para a plena realização.
No meio de todos os desafios hodiernos precisamos conhecer a alegria e ouvir o seu cântico. Entretanto, é necessário reconhecer a fragilidade da alegria humana nesta terra. É sadio realismo reconhecer que convivemos com a distância entre o desejo da felicidade e sua realização, além da constatação de que nosso mundo multiplicou as ocasiões de prazeres, mas tem dificuldades para engendrar a alegria (cf. Paulo VI, "Gaudete in Domino"), cuja fonte autêntica é espiritual.
Quem procura Deus encontra sempre a alegria, mas quem procura a alegria nem sempre encontra Deus (cf. Raniero Cantalamessa, Gettate le reti, PIEMME, 2004, pág. 22). Quem procura a felicidade antes de Deus e fora de Deus não encontrará mais do que uma falsa alegria. "Duplo crime cometeu o meu povo: abandonou-me a mim, fonte de água viva, e para si preferiu cavar cisternas, cisternas defeituosas que não retêm a água" (Jr 2,13). As pessoas se reduzem a pensar a felicidade em termos de quantidade, buscando prazeres e emoções cada vez mais intensas, ou acrescentando prazeres aos prazeres, como um drogado que tem necessidade de doses cada vez mais fortes. Só Deus é feliz e pode fazer as pessoas felizes. "Procura no Senhor tua alegria, e ele te dará o que teu coração pede" (Sl 37, 4).
Nosso Senhor ofereceu-nos o caminho da alegria, com o Evangelho. A profundidade de seu olhar interior não embotou sua sensibilidade, pois teve experiência das alegrias humanas! Admirou a natureza, exaltou as alegrias do semeador, ou do homem que descobriu um tesouro, o pastor que encontrou a ovelha perdida, a mulher que dá à luz um filho e nem se lembra das dores, o pai misericordioso que acolhe o filho pródigo! Jesus manifesta satisfação e ternura com as crianças, o jovem rico, ou quando vê a conversão e a libertação das pessoas. Ele semeia a alegria no perdão e na cura e exulta de alegria ao ver que os pequeninos acolhem o Reino de Deus. O segredo de sua alegria é o amor do Pai que o envolve. Ele é o primeiro bem-aventurado, a pessoa mais feliz do mundo! Quando João Batista, o precursor, da prisão envia alguns mensageiros a Jesus (cf. Mt 11, 2-11), a resposta inclui o anúncio da alegria: "os pobres são evangelizados". E evangelho é "alegre mensagem". O Evangelho é anúncio da alegria!
Aos cristãos de hoje, muitas pessoas, em tom de desafio, pedem que lhes mostrem sua alegria (cf. Is 66, 5). E como testemunhá-la? O caminho da alegria passa pela estrada da Páscoa, quando a fé na Ressurreição de Cristo faz passar continuamente da morte para a vida, das trevas para a luz e da tristeza para a alegria. O caminho é feito de saída de si, abertura para o serviço e o amor ao próximo. O apóstolo São Paulo, na Carta aos Filipenses (Fl 4, 4-5), depois de ter convidado os cristãos a se alegrarem sempre, pois o Senhor está próximo, recomenda a amabilidade. O cristão alegre e feliz é afável, aberto ao diálogo, serviçal, livre de preconceitos, criativo, capaz de tomar iniciativa para fazer o bem. A alegria do Senhor é a sua força (cf. Ne 8, 10).  
 
Fonte: Conversa com meu povo 

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Chamados ao amor

A Igreja no Brasil dedica o mês de agosto a refletir, rezar e agir em prol das vocações. Tendo sido batizados, todos os cristãos têm um chamado a responder de forma pessoal. Não é possível fugir da pergunta feita pelo Senhor Jesus a todos os homens e mulheres que o seguem a respeito de sua identidade. Definir-se pessoalmente diante de Jesus Cristo que é Senhor, Messias, enviado pelo Pai, Salvador do mundo e nosso Salvador pessoal é passo que, mais cedo ou mais tarde, deverá confrontar nossa existência.
Todos nós somos levados a definir o próprio lugar na sociedade e serão adequadas para a realização das pessoas as famílias que proporcionarem o espaço para a escolha livre de seus membros. Muita gente faz, inclusive, testes vocacionais, para identificar as aptidões que indicam as possíveis profissões a serem escolhidas. Mas para nós não se trata apenas de meio ou mercado de trabalho, lugar significativo na sociedade, fama ou títulos. Temos a convicção de que não existe cristão sem um olhar pessoal de Deus, ou seja, uma vocação, um chamado.
Se nas famílias nos acostumarmos a perguntar aos filhos e com eles não apenas sobre o que querem fazer no futuro, mas a descobrirem o que Deus pensa deles ou o chamado que lhes oferece, teremos dado um salto qualitativo imenso. Para chegar a isso, há que se criar em casa um clima de escuta e de oração.
O caminho de um discernimento vocacional passa pelo conhecimento da Palavra de Deus, pelo aprendizado do silêncio orante, pelo diálogo dos pais com seus filhos e pela abertura da alma com o confessor e o diretor espiritual. Mas só poderá buscar estes meios quem acreditar que Deus tem algo a ver conosco e não permanece imóvel e indiferente, lá no Céu, quem sabe se rindo de nossas trapalhadas. Entenderá tal processo aquela pessoa que descobriu a presença silenciosa, mas viva, de Deus em sua vida. Poderá criar esse clima a família na qual se aprende a buscar as coisas do alto (Cf. Cl 3,1).
As respostas virão! Primeiro a pessoa descobrirá que não foi feita para fechar-se em si, mas servir e amar. Aprenderá a olhar ao seu redor, não deixando que ninguém passe em vão ao seu lado. Olhará para o mundo como terra amada por Deus, criada como um grande jardim a ser cultivado com amor. Seu relacionamento com Deus não será entendido como obrigação pesada, mas presente gratuito, direito adquirido para esta vida e para a eternidade, pois Ele é Pai amoroso, Filho Salvador, Espírito Santificador, comunhão de vida.
As crianças, adolescentes e jovens, para olharmos juntos para o futuro, poderão abrir-se à maravilhosa vocação do Matrimônio, visto não como um acaso fortuito de relacionamento, mas como chamado à participação na obra criadora de Deus e a estabelecer famílias estáveis, referências para uma sociedade sedenta de amor. As vocações ao sacerdócio, ao diaconado, à vida religiosa e missionária, à dedicação a Deus em comunidades de vida e aliança e outras formas de consagração encontrarão de novo especo privilegiado em nossas casas, readquirindo o direito de presença na alma de todos.
Certas de que existe um olhar pessoal de Deus para cada um, muitas pessoas procurarão sua Paróquia, exercitando a disponibilidade. Há catequistas escondidos, ministros para os vários serviços, gente disposta a assumir trabalhos desafiadores, e estão aí, quem sabe medrosos, dependendo de um apelo como aquele que faço hoje.
E quem já definiu seu estado de vida? Conheço pais e mães de família que redescobriram o encanto de sua existência ao entenderem que não foi apenas seu arbítrio individual que definiu seus rumos de vida. Acompanhei, nos últimos momentos de sua vida, um operário que olhava para suas próprias mãos calejadas, mostrando-as aos filhos, entregando-lhes como herança apenas a certeza de que nunca se sujou com a iniquidade! Vidas realizadas estão pululando perto de nós. O que nos falta são olhos lavados no colírio que Deus dá para enxergar melhor!
Neste mês de agosto, muitas serão as oportunidades para aprofundar o tema vocação. Dia 4 é o Dia do Padre, o segundo domingo é a festa dos pais, abrindo a Semana Nacional da Família. Na festa da Assunção de Nossa Senhora, serão ordenados 33 diáconos permanentes em Belém. No quarto domingo, a vocação de homens e mulheres, leigos, e no quinto, a Catequese será mais conhecida e valorizada.
Durante todo este mês, nosso olhar se voltará para o Senhor, perguntando-lhe: "Que queres que eu faça?". A quem considera exageradamente otimista meu modo de ver, como sonhador em nome de Deus e da Igreja, fica meu desafio. Experimente mudar seu ângulo de compreensão da vida e depois, venha contar-me os resultados. Até hoje, não encontrei quem não se sinta mais feliz ao acolher meu convite, pois estou certo de que há um olhar pessoal de amor de Deus na vida de cada pessoa. 
                                                 Dom Alberto Taveira Corrêa